
Não são apenas gigantes como a Odebrecht que estão sujeitas a serem investigadas em esquemas de corrupção, como na Operação Lava Jato. Pequenos e médios empreendedores também podem ter suas contas devassadas, ainda mais se tiverem contratos com órgãos públicos. E pior, em caso de fraude, a multa pode chegar a inviabilizar o negócio.
Sendo assim, como evitar dores de cabeça?
?As notícias que vemos nos últimos meses são um belo aprendizado para pequenos empresários. Eles precisam observar que estamos saindo de uma era de sensação de impunidade muito grande para um período em que as empresas passam a ser responsabilizadas de forma efetiva por seus atos?, afirma Allan Costa, investidor-anjo e fundador da Eticca Compliance, empresa especializada no tema.
Para evitar problemas, é preciso que os empreendedores se informem sobre a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013). Publicada em 2013 e regulamentada há um ano, a lei define punições severas a empresas pegas em esquemas de corrupção. A multa máxima é de 20% do faturamento do negócio, uma fatia salgada que pode levar o empresário a fechar as portas. O objetivo central da lei é evitar que somente indivíduos sejam responsabilizados em caso de fraude.
Mas, afinal, que tipo de atitude uma pequena empresa pode ter que leve a investigações do tipo? Segundo especialistas ouvidos por EXAME.com, os empreendedores acreditam que esses casos estão muito distantes de sua realidade, mas não é bem assim.
?Um vendedor que oferece uma facilidade qualquer, uma viagem ou um presente, para ser beneficiado num contrato já é uma atitude corrupta?, explica Costa. ?Muitas pequenas empresas são fornecedoras de prefeituras, por exemplo, e devem ter cuidado redobrado com doações e convites?, completa o consultor José Antonio Gonçalves, que dará um curso no mês que vem sobre este tema na Trevisan Escola de Negócios.
Para estar de acordo com a lei, os empreendedores precisam elaborar um documento que mostre o comportamento esperado de seus funcionários e indique como eles devem se comportar nas relações com fornecedores e clientes, além de orientar sobre o que eles devem fazer caso percebam um desvio de conduta.
Depois, é necessário manter a equipe treinada sobre o código de conduta da organização. ?É importante que o empreendedor ofereça um treinamento e consiga comprovar que o funcionário absorveu aquele conteúdo, através de um teste, por exemplo. Também vale fazer esse tipo de procedimento com parceiros e prestadores de serviço?, recomenda Gonçalves. Com isso, além de estar mais protegida contra atitudes indesejadas, a empresa pode ter suas penalidades reduzidas caso seja de fato pega num esquema de corrupção.
Fraudes internas
Além de proteger o empreendedor contra possíveis investigações, uma política anticorrupção também pode ajudá-lo a evitar fraudes internas. ?Dados mostram que, de cada dez empresas que vão à falência, seis são vítimas de fraudes que não foram descobertas a tempo?, afirma Gonçalves.
?Muitos desses pequenos empresários ficam com a sensação de que, por serem menores e baseados muitas vezes em pessoas de confiança, seus negócios são imunes as fraudes. Mas não é isso que a gente tem visto em pesquisas feitas em todo mundo?, completa. Em outras palavras, esses empreendedores são roubados por seus próprios funcionários.
Apesar disso, muitos empreendedores ainda acreditam que investir em controles internos é algo custoso e acabam deixando esse tema de lado, lamenta o consultor. No entanto, para Allan Costa, da Eticca Compliance, não deve demorar muito até que os pequenos empresários percebam a necessidade de olhar para esse tema.
?Com a implantação da lei, as grandes empresas já estão alertas, até mesmo por conta dos casos que temos visto no noticiário. As médias estão começando a olhar para isso agora e as pequenas ainda não se deram conta. Mas é uma questão de tempo?, conclui.
Publicada em : 12/04/2016
Fonte : Exame.com
A corrupção em licitações feitas por prefeituras municipais é o mais comum dos casos de corrupção. E normalmente, os próprios órgãos da prefeitura, sob o comando de um político corrupto, montam todo o esquema de corrupção, criando empresas de fachada para participar em uma licitação, e obviamente, essas empresas de 'laranjas' jogam o preço lá em cima, e a empresa marcada para ganhar (também de um laranja), é a vencedora, com o preço também lá em cima, mas um pouco abaixo das outras. Já os verdadeiros empresários raramente conseguem participar, porque os editais saem com prazos normalmente muito pequenos, e com exigências (absurdas) que são feitas justamente para desqualificar o verdadeiro empresário de participar nas licitações. Obviamente, há as exceções, e as estes o recado dado no caso das empreiteiras é válido. Também, é válido a menção de que fiscais corruptos também oferecem vantagens para evitar uma multa por qualquer irregularidade. E nesse caso, o corruptor passa a ser quem aceita pagar a propina para se livrar de uma multa. Matéria mais do que atual e importantíssima para empresários.
ResponderExcluirAcredito que este governo vai cair.
ResponderExcluirAcontecendo isto, certamente tudo vai voltar ao normal e as investigações arrefecerão. De forma que podem ficar tranquilos, nesta nova etapa política, podem continuar sonegando e corrompendo, pois nada mais acontecerá.