domingo, 10 de novembro de 2013

Tropicalização do Balanço em trabalhos de Due Diligence

Uma grande diferença na diligência em uma empresa brasileira com relação a um mesmo procedimento em um target[i] que esteja em um país com grande volume de empresas auditadas é a necessidade de incluir em nosso escopo a “fotografia” real do balanço patrimonial no momento da transação. Claro que procedimentos de validação e normalização do EBITDA são primordiais para a tomada de decisão do investidor, porém mostrar-lhe um balanço Pró-Forma[ii] com a situação real do patrimônio permite visualizar com clareza o capital de giro e endividamento do target, além de excluir do balanço os efeitos de uma contabilidade meramente fiscal ou mesmo que tenha saldos de transações condicionadas ao atendimento às necessidades do sócio, seja representando um ativo não realizável visando aumentar a liquidez ou seja pelo registro de uma obrigação somente no momento de sua realização.

O ambiente da contabilidade das empresas de middle market[iii] no Brasil ainda está em um cenário que visa diretamente refletir as operações que atendem a exigência fiscal ou mesmo uma suposta dispensa de se ter uma contabilidade, como alegam alguns administradores de empresas cuja tributação seja pela presunção de lucro (Lucro Presumido), fato este totalmente contra o que exige nosso Código Civil (Lei 10.406/02 – artigos 1.179 e 1.180).

Temos uma grande oportunidade em mostrar ao investidor, caso ele venha a efetivar a transação de aquisição que simplesmente adquirir a empresa é o início de um processo de convergência de padrões contábeis, profissionalização do corpo técnico e administrativo e além de tudo, ter no momento da consolidação números que não serão objeto de qualificações por parte da auditoria em caso do investidor ser uma companhia auditada.

O Balanço Pró-Forma levantado no processo de Due Diligence dará ao investidor a possibilidade de vislumbrar quais elementos serão afetados no momento de se alocar o ágio pago pela aquisição, quais itens não realizáveis devem ser descartados e dadas as devidas tratativas de ajuste ou provisões para perda e assunção de passivos omissos.

Para nós consultores é uma excelente oportunidade de novos negócios de modo a sermos vistos como uma ferramenta de tomada de decisão e de manutenção das boas práticas contábeis, fiscais, trabalhistas e previdenciárias vigentes após a venda da empresa.

[i] Empresa alvo
[ii] Cenário do balanço após os ajustes e reclassificações.
[iii] Empresa familiar


Material disponibilizado pelo Caio Biscaro e Wiliam Bezerra 



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