Uma grande diferença na diligência em uma
empresa brasileira com relação a um mesmo procedimento em um target[i] que
esteja em um país com grande volume de empresas auditadas é a necessidade de
incluir em nosso escopo a “fotografia” real do balanço patrimonial no momento
da transação. Claro que procedimentos de validação e normalização do EBITDA são
primordiais para a tomada de decisão do investidor, porém mostrar-lhe um
balanço Pró-Forma[ii] com a situação real do patrimônio permite visualizar com
clareza o capital de giro e endividamento do target, além de excluir do balanço
os efeitos de uma contabilidade meramente fiscal ou mesmo que tenha saldos de
transações condicionadas ao atendimento às necessidades do sócio, seja
representando um ativo não realizável visando aumentar a liquidez ou seja pelo
registro de uma obrigação somente no momento de sua realização.
O ambiente da contabilidade das empresas de
middle market[iii] no Brasil ainda está em um cenário que visa diretamente
refletir as operações que atendem a exigência fiscal ou mesmo uma suposta
dispensa de se ter uma contabilidade, como alegam alguns administradores de
empresas cuja tributação seja pela presunção de lucro (Lucro Presumido), fato
este totalmente contra o que exige nosso Código Civil (Lei 10.406/02 – artigos
1.179 e 1.180).
Temos uma grande oportunidade em mostrar ao
investidor, caso ele venha a efetivar a transação de aquisição que simplesmente
adquirir a empresa é o início de um processo de convergência de padrões
contábeis, profissionalização do corpo técnico e administrativo e além de tudo,
ter no momento da consolidação números que não serão objeto de qualificações
por parte da auditoria em caso do investidor ser uma companhia auditada.
O Balanço Pró-Forma levantado no processo de
Due Diligence dará ao investidor a possibilidade de vislumbrar quais elementos
serão afetados no momento de se alocar o ágio pago pela aquisição, quais itens
não realizáveis devem ser descartados e dadas as devidas tratativas de ajuste
ou provisões para perda e assunção de passivos omissos.
Para nós consultores é uma excelente
oportunidade de novos negócios de modo a sermos vistos como uma ferramenta de
tomada de decisão e de manutenção das boas práticas contábeis, fiscais,
trabalhistas e previdenciárias vigentes após a venda da empresa.
[i] Empresa alvo
[ii] Cenário do balanço após os ajustes e
reclassificações.
[iii] Empresa familiar
Material disponibilizado pelo Caio Biscaro e Wiliam Bezerra

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